CD 1º DE MAIO 0-5 CF ANDORINHA
Um resultado pesado, uma lição importante
Na manhã deste domingo, 8 de fevereiro de 2026, os Iniciados Sub-15 do CD 1.º Maio “A” receberam o CF Andorinha “A” no Campo 1.º Maio, no Palheiro Ferreiro, Camacha, em jogo do Torneio Intercalar Iniciados – 1.ª Fase, Série “A”. O encontro terminou com vitória clara da equipa adversária, por 0-5, num resultado duro, mas que se transforma também numa poderosa ferramenta de crescimento para todos: equipa técnica, atletas, clube e famílias.
Sob o comando de Marco Fernandes e Ronaldo Santos, o CD 1.º Maio “A” entrou em campo com vontade de assumir o jogo, mas encontrou um adversário muito eficaz, rápido nas transições e com grande capacidade de definição no último terço. Apesar do esforço dos nossos jogadores, a diferença no marcador foi aumentando, deixando bem visível que, algumas vezes, o futebol mostra de forma crua aquilo que ainda falta consolidar.
Olhar a derrota sem culpa, mas com consciência
Numa perspetiva mais interior, esta derrota convida todos a um exercício de consciência: em vez de procurar culpados, o desafio passa por compreender o que o jogo veio espelhar. Quando o resultado é pesado, a primeira reação natural pode ser a frustração ou mesmo a desmotivação; no entanto, é precisamente aqui que começa o verdadeiro trabalho emocional.
A equipa técnica olha para o jogo como um espelho: onde faltou confiança, onde houve medo de arriscar, onde se perdeu o foco coletivo. Os atletas, por sua vez, são chamados a perceber que o valor de cada um não se mede por um resultado, mas pela forma como responde a ele. O clube, enquanto estrutura, observa que momentos como este ajudam a reforçar a importância de continuar a investir em formação integral: física, técnica, tática e emocional.
O papel da equipa técnica: transformar dor em evolução
Marco Fernandes e Ronaldo Santos têm agora uma tarefa tão delicada quanto essencial: pegar neste 0-5 e convertê-lo em combustível para a evolução da equipa. Em vez de discursos de crítica, surge a necessidade de uma mensagem clara e serena: “falhámos em vários momentos, mas é aqui que escolhemos se ficamos presos ao erro ou se crescemos com ele”.
A análise do jogo não se limita aos golos sofridos; passa por perceber estados emocionais: quem se escondeu do jogo, quem assumiu responsabilidade, quem se deixou abater, quem manteve a cabeça erguida. Ao trabalhar estes aspetos com os jogadores, os treinadores ajudam-nos a compreender que o campo revela muitas vezes padrões internos: medo de falhar, dificuldade em confiar no colega, ansiedade em agradar. Quando tudo isto se traz à consciência, a derrota deixa de ser um castigo e torna-se um professor.
Atletas: aprender a cair, levantar e seguir em frente
Para os jovens jogadores, um 0-5 pode mexer com o orgulho, com a autoconfiança e com a forma como se veem enquanto atletas. É importante lembrar-lhes que ninguém cresce sempre em linha reta. Os grandes jogadores passaram por momentos de falha, de crítica e de dúvida. O que os diferenciou foi a capacidade de olhar para dentro, reconhecer fragilidades e continuar.
Este jogo convida-os a refletir:
Estou a jogar com medo de errar ou com vontade de aprender?
Consigo confiar mais nos meus colegas e no plano de jogo ou tento resolver tudo sozinho?
O que posso fazer, eu, concretamente, no próximo treino, para ser um pouco melhor do que ontem?
Quando o atleta percebe que a derrota não define a sua identidade, mas apenas aponta caminhos a trabalhar, ganha força interior. É esse equilíbrio emocional que, com o tempo, transforma um simples resultado num ponto de viragem.
Pais e família 1.º de Maio: apoio que cura e fortalece
Um destaque especial para os pais e encarregados de educação, que estiveram presentes do início ao fim, a apoiar os nossos jogadores, mesmo perante um resultado difícil. Numa perspetiva emocional, a forma como os adultos reagem à derrota marca profundamente a forma como os jovens lidam com o fracasso.
Quando os pais mantêm a calma, valorizam o esforço e evitam críticas destrutivas, passam uma mensagem poderosíssima: “o teu valor não depende do resultado, estamos contigo para aprender e melhorar”. Esse tipo de apoio não alimenta desculpas, mas sim responsabilidade saudável: o jovem sente-se amado, e por isso ganha coragem para enfrentar os próprios erros.
A família 1.º de Maio – sócios, simpatizantes, direção e staff – também faz parte deste processo. O ambiente à volta da equipa, feito de respeito, paciência e incentivo, ajuda a transformar o peso de uma derrota na semente de futuras conquistas.
O clube como espaço de crescimento humano
O CD 1.º Maio assume a formação como algo muito maior do que a simples competição. Dias como este lembram que o clube é também um espaço onde os jovens aprendem a lidar com frustração, a gerir emoções, a persistir e a acreditar em si mesmos mesmo quando o marcador não sorri.
Da próxima vez que esta equipa entrar em campo, trará consigo não apenas o peso de um 0-5, mas a consciência de tudo o que esse resultado ensinou: a importância da união, da concentração, da humildade e da coragem para tentar outra vez. E é assim, passo a passo, jogo a jogo, que se constroem não só melhores jogadores, mas também seres humanos mais fortes e conscientes.
A todos os que estiveram presentes – atletas, treinadores, pais, sócios e simpatizantes – fica o agradecimento sincero do clube. Juntos, mesmo nas derrotas, continuamos a honrar o nome do CD 1.º Maio e a construir um caminho de verdadeira formação.
Fotos e Texto: Bruno Azevedo / CD 1º de Maio



















