Diogo Andrade recupera a memória do avô, campeão da Madeira em 1951

Há histórias que não terminam com o último encontro disputado. Permanecem nas conversas de família, atravessam gerações e regressam ao clube através de um gesto simples. Foi assim com Diogo Andrade, neto de João Batista de Andrade, antigo atleta de ténis de mesa do CD 1.º de Maio, campeão da Madeira pelo nosso emblema em 1951.
Uma fotografia recuperada deu nova vida às memórias que Diogo ouviu durante a infância e a adolescência. Mais do que reconhecer o avô numa imagem, encontrou uma ligação concreta entre as histórias do pai e o clube onde João Batista de Andrade brilhou na modalidade então conhecida por “ping pong”.
Um contacto que trouxe o passado ao presente
Diogo escreveu ao clube com um pedido especial: duas camisolas, uma para a filha e outra para a sobrinha. A intenção era preservar o legado do avô e transmitir às novas gerações o orgulho que sempre acompanhou o seu nome.
No contacto enviado, explicou o significado desta ligação:
“Hoje sou pai e tio. E irei contar as mesmas histórias que o meu pai me contou, com a mesma vivacidade e orgulho no homem e no atleta que ele foi.”
Estas palavras revelam a dimensão humana da memória desportiva. Para Diogo, o avô não é apenas um nome associado a um título. É uma referência familiar, cuja história merece continuar presente na vida das crianças.
João Batista de Andrade: talento e uma escolha com futuro
Entre as recordações partilhadas pelo neto, destaca-se a forma como João Batista de Andrade escolheu representar o CD 1.º de Maio.
Segundo o relato familiar, vários clubes pretendiam contar com o seu talento. Contudo, o atleta tinha outra paixão além do ténis de mesa: a mecânica. A sua escolha recairia no clube que lhe proporcionasse a formação nessa área.
O CD 1.º de Maio respondeu a essa vontade e pagou-lhe o curso. De acordo com a memória transmitida pela família, João Batista de Andrade tornou-se o primeiro madeirense a frequentar formação na Mercedes.
É uma história que merece ser preservada com a identificação da sua origem: o testemunho familiar. Nela encontramos um atleta determinado a construir o futuro e um clube que apoiou uma ambição para lá da competição. O vínculo entre ambos ganhou, assim, uma dimensão desportiva, profissional e pessoal.
O “ping pong” que enchia a família de orgulho
Outra história recordada por Diogo é a de um encontro em que o avô terá vencido um jogador chinês. Sem indicação de data ou competição, este episódio permanece entre as memórias familiares que alimentaram a admiração pelo antigo atleta.
O valor desta recordação está também na forma como foi contada e recebida: com entusiasmo, vivacidade e orgulho. Agora, Diogo deseja transmiti-la à filha e à sobrinha, tal como a recebeu do pai.
A fotografia que encontrou tornou-se um ponto de partida para essas conversas. É o registo que conserva do avô enquanto atleta e um elo entre o passado da família e a história do nosso clube.
Duarte Luciano recorda a ambição do ténis de mesa
O presidente do CD 1.º de Maio, Duarte Luciano, destacou a importância desta memória para compreender o percurso da modalidade no clube.
Ao recordar os anos 50, referiu os encontros com equipas do continente, entre elas o Vitória de Setúbal, como expressão da ambição e da qualidade dos nossos jogadores. Nas suas palavras, o CD 1.º de Maio tinha uma equipa muito forte no “ping pong”.
O reconhecimento de João Batista de Andrade integra essa herança. Recordar o campeão madeirense de 1951 é também reconhecer os atletas que ajudaram a construir o nome do clube e deixaram motivos de orgulho às famílias.
Duas camisolas para dar continuidade à história
O encontro ficou marcado pela entrega de duas camisolas oficiais do CD 1.º de Maio por Duarte Luciano a Diogo Andrade, destinadas à filha e à sobrinha do neto do antigo atleta.
As duas bisnetas de João Batista de Andrade passam, assim, a ter um símbolo do clube que o avô de Diogo representou. Mais do que uma oferta, as camisolas materializam a vontade de manter viva uma ligação familiar.
Uma herança que continua
Para o CD 1.º de Maio, este momento lembra que a história também vive nos testemunhos das famílias. Um título fica nos registos; o afecto prolonga-o nas gerações seguintes.
Agradecemos a Diogo Andrade a partilha destas recordações e o desejo de as preservar. João Batista de Andrade continua presente no orgulho do neto, nas histórias que chegarão às bisnetas e na memória do clube que representou.
Porque uma camisola pode vestir uma criança e, ao mesmo tempo, transportar uma vida inteira.
Viva o CD 1.º de Maio!
Fotos: CD 1º de Maio. texto: Bruno Azevedo.







